hallux rigidus medico que trata Dr Alejandro Zoboli
O silêncio do consultório costuma ser quebrado por uma pergunta clássica, quase um desabafo: “Doutor, quando é que eu vou poder correr de novo?”. Recentemente, atendi o Marcos, um corredor amador de 42 anos que havia passado por uma correção de Hallux Valgus (o popular joanete) e uma limpeza articular por artroscopia no tornozelo. Ele olhava para o tênis de corrida no canto da sala com uma mistura de saudade e ansiedade. Para quem vive em movimento, o período de imobilização e carga parcial é uma eternidade. A verdade é que a retomada não é um evento único, mas um processo de “renegociação” com a própria biomecânica do pé.
O pé humano é uma obra-prima da engenharia, composta por 26 ossos e uma rede complexa de ligamentos e tendões. Quando intervimos cirurgicamente — seja para tratar uma ruptura do tendão de Aquiles ou uma fratura de tornozelo — estamos alterando temporariamente essa engrenagem. O corpo precisa de tempo para que o novo tecido cicatricial ganhe a resistência necessária para suportar o impacto. Muitos pacientes cometem o erro de achar que, uma vez que a dor sumiu, o pé está pronto para o asfalto. No caso do Marcos, expliquei que a ausência de dor é apenas o primeiro sinal verde, mas não o único. A fisioterapia ortopédica desempenha um papel vital aqui.
Não se trata apenas de “fazer exercícios”, mas de devolver ao cérebro a percepção de onde o pé está no espaço (a chamada propriocepção). Sem isso, um simples trote pode levar a uma nova entorse de tornozelo porque os reflexos de estabilização ainda estão “dormindo”. Para garantir que a volta aos treinos não se torne um retorno ao centro cirúrgico, alguns marcos são inegociáveis: A maturação do calo ósseo ou do tendão: Em cirurgias de fraturas do pé ou reconstruções tendíneas, a biologia dita o ritmo.
Forçar a barra antes da consolidação completa pode gerar uma falha do material de síntese (placas e parafusos) ou uma recidiva da lesão. A reabilitação da força intrínseca: Muitas vezes focamos na panturrilha e esquecemos dos pequenos músculos do pé. Se eles estão fracos, o arco desaba, podendo causar fasceíte plantar ou sobrecarga nos dedos, levando a quadros de dedos em garra. A transição de impacto: Começamos na água, passamos para o elíptico, depois caminhada rápida e, só então, o impacto controlado.