Por que diabos alguém aceitaria uma rentabilidade menor em um título de renda fixa quando existe outro pagando 120% do CDI logo ao lado? Se você já se pegou hipnotizado pelos números maiores em uma plataforma de investimentos, saiba que a matemática financeira é, muitas vezes, contraintuitiva. Escolher entre um CDB, uma LCI ou o Tesouro Direto exige menos instinto e muito mais cálculo de “rentabilidade líquida real”.
O maior erro do investidor iniciante é olhar apenas para a taxa nominal. Imagine o seguinte cenário: você tem R$ 10.000,00 e precisa decidir entre um CDB que paga 115% do CDI e uma LCI que oferece 94% do CDI, ambos para o prazo de um ano. À primeira vista, o CDB parece o vencedor óbvio. No entanto, o Leão da Receita Federal entra no jogo. O CDB sofre a incidência do Imposto de Renda (17,5% para o prazo de um ano), enquanto a LCI (Letra de Crédito Imobiliário) é isenta para pessoas físicas. Fazendo a conta rápida: os 115% do CDB, após o desconto do imposto, transformam-se em aproximadamente 94,8% do CDI líquido.
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Ou seja, a diferença é marginal. Se a LCI subisse para 96%, ela superaria o CDB “bombado”. O critério aqui não é quem paga mais no papel, mas quem coloca mais dinheiro limpo no seu bolso após o prazo de vencimento. O fator liquidez e o risco de crédito Muitas vezes, a rentabilidade superior de um CDB de um banco de médio porte é, na verdade, um prêmio pelo risco. É o que chamamos de prêmio de crédito. Enquanto o Tesouro Direto é o porto seguro — já que o Governo Federal é o último a quebrar em uma economia —, um banco menor tem uma probabilidade maior de insolvência.