Como a percepção de prestígio de uma marca de construtora sustenta o preço no mercado de revenda

Como a percepção de prestígio de uma marca de construtora sustenta o preço no mercado de revenda

Há alguns anos, acompanhei a trajetória de dois amigos que compraram apartamentos no mesmo bairro, na mesma época e com metragens praticamente idênticas. Um escolheu um lançamento de uma construtora que, na época, era conhecida apenas pelo preço competitivo. O outro optou por uma unidade de uma marca renomada, que já carregava o peso de décadas de entregas impecáveis e um acabamento que, embora custasse 15% a mais no ato da compra, parecia ser apenas uma escolha estética.

Passados cinco anos, a diferença entre essas duas decisões tornou-se brutal no mercado de revenda. Enquanto o primeiro imóvel enfrentou dificuldades para ser liquidado, com o proprietário sendo forçado a reduzir o valor pedido para competir com novas unidades, o segundo foi vendido em questão de semanas. O comprador não estava apenas levando metros quadrados; ele estava comprando a paz de espírito de quem sabe que a manutenção do prédio, a qualidade dos materiais e o projeto arquitetônico teriam uma sobrevida muito maior.

A economia da confiança no tijolo

O mercado imobiliário é, em sua essência, um negócio de confiança. Quando alguém assina uma escritura, está projetando um futuro onde aquele imóvel manterá sua funcionalidade e apelo estético. É aqui que entra o conceito de prestígio. Uma construtora que construiu uma reputação sólida não apenas vende um apartamento; ela chancela o valor do ativo.

Para o comprador de segunda mão, a marca da construtora funciona como um selo de qualidade que reduz o risco da transação. Ele sabe que a estrutura não apresentará patologias precoces, que o condomínio não terá taxas extras imprevistas por falhas de projeto e que a planta foi desenhada para otimizar o uso do espaço. Esse “seguro invisível” permite que o dono do imóvel peça um valor superior, pois o custo de oportunidade para o comprador é menor. É a tradução prática de que o barato pode custar caro, especialmente quando o horizonte de investimento é longo.

O efeito halo na valorização imobiliária

Existe um fenômeno que chamo de “efeito halo” das construtoras de elite. Quando uma marca lança um novo empreendimento em uma região, ela frequentemente eleva o patamar de toda a vizinhança. O cuidado com o paisagismo, a iluminação da fachada e a sofisticação das áreas comuns forçam o entorno a se qualificar. Com o tempo, os próprios moradores de imóveis mais antigos daquela rua passam a usufruir dessa valorização indireta.

No entanto, a sustentação do preço na revenda é mais profunda. Ela toca na capacidade da marca de criar desejo. Imóveis de construtoras prestigiadas se tornam “blue chips” do mercado imobiliário local. Eles são, muitas vezes, as primeiras opções buscadas por investidores que visam renda com aluguel, pois a vacância tende a ser menor. O inquilino também percebe a qualidade, o que gera uma rotatividade menor e uma conservação do patrimônio acima da média.

O papel estratégico da marca na liquidez

Ao planejar a compra, seja para moradia ou investimento, olhar apenas para o preço por metro quadrado é um erro de iniciante. É preciso investigar o histórico da construtora:

Qual é o estado de conservação de edifícios entregues por eles há dez ou quinze anos?

Como a empresa lida com o suporte pós-venda após a entrega das chaves?

A arquitetura se mantém atual ou parece datada após poucos anos?

Um corretor experiente sabe que a marca da construtora é um dos pilares que sustenta a margem de negociação. Se você é um vendedor, não tenha vergonha de destacar quem construiu o seu prédio. Se você é um comprador, entenda que o ágio pago inicialmente pela grife da construtora é, na verdade, um investimento na liquidez futura do seu patrimônio. No fim das contas, o mercado de imóveis reconhece a excelência e, quase sempre, paga um prêmio por ela no momento em que o ciclo de propriedade se encerra.

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